Vida vegetariana

Por um mundo melhor

Como me tornei vegetariano

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Em março de 2007, vegetarianismo para mim era apenas algo de que eu ouvia falar e que nunca associava à minha vida, até que uma amiga apresentou-me Terráqueos. O filme deixou-me transtornado. Nunca havia pensado profundamente na origem de minhas refeições. A carne era algo absolutamente normal e inquestionável. Os rodízios eram confraternizações com amigos. Tudo “normal”. Mas a ilusão foi embora.

Logo depois, tive uma inclinação para parar com vida creófila, mas não durou muito. Caí na ilusão que poderia reduzir o consumo. Talvez o tenha feito por uma semana. Depois voltei ao “normal”. O engraçado é que o filme fala, no início, sobre os três estágios da verdade: ridicularização, oposição violenta e aceitação. Logo que “desencanei”, passei a tentar desmerecer o filme. Dizia que ele citava as situações mais extremas como padrão, dentre tantas outras coisas. Depois, passei ao segundo estágio, sem me dar conta disto. Passei a frequentar comunidades e refutar argumentos pró-vegetarianismo. Antes este assunto me era indiferente. Naquele momento, eu estava fazendo oposição. Então eu pensei: “Por que?”.

O filme me mostrou uma possibilidade de verdade. A mim, cabia acreditar ou não. Não paguei e nem fui obrigado a vê-lo. Agora isso muito me incomodava. Algumas linhas psicológicas dizem que quando algo ou alguém muito incomoda gratuitamente, isto pode ser um sinal de que algo está ferido dentro de si. Então cessei a oposição e passei a tentar ignorar estas idéias e voltar à “inocência perdida”. Durante algum tempo, o conflito interno ficou menos latente. Mas a culpa existia a cada garfada.

Outro dia, comecei a ver A Carne é Fraca. Nem vi todo. As cenas são bem menos chocantes que Terráqueos, mas a coisa estava bem mais evidente. Comecei a quase não ir mais a rodízios. Quando ía, comia muito mais feijão, batata e pão de alho. Mas quanto mais eu reduzia, mais me amargurava o fato de ainda comer carne.

Uma certa noite de domingo, depois de um dia alimentar “normal”, eu disse: “amanhã eu não vou comer nenhum derivado de origem animal”. Na manhã seguinte, mesmo que muitas vezes antes eu tenha ficado sem café da manhã, fiquei muito incomodado por não “poder” comer queijos ou mesmo carnes. Aproveitei o ensejo e parei também o açúcar. Sustentei o esforço durante todo o dia. No dia seguinte, amanheci muito bem. Tão bem que decidi continuar com a mesma alimentação. Mais tarde, porém, comecei a sentir-me fraco, como algumas pessoas disseram que aconteceria.

No terceiro dia, senti tonturas. Liguei para um amigo e ele aconselhou-me a voltar, por um tempo, a comer peixes e crustáceos, leites, ovos e o açúcar. Os peixes e crustáceos eu mantive por duas semanas mais e então parei em definitivo. O leite e os ovos passaram ainda quase dois meses no meu cardápio.

Hoje eu tenho uma dieta vegetariana estrita (sem produtos de origem animal) e vivo muito melhor que antes. Não me sinto fraco nem restrito. Perdi 14 quilos no início. Depois o corpo estabilizou-se e tenho mantido o mesmo peso nos últimos meses. Sinal de que os exercícios são mais que necessários. Sinto que outra guerra se aproxima…

Janio Carlos M. Vieira

candeeiroverde@neoline.com.br

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Written by candeeiroverde

2 de abril de 2010 às 12:23 pm

Publicado em Uncategorized

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